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Tenham piedade de 2016

Posted by Unknown on 12:51:00
Minha primeira viagem sozinha - Barra Grande / Ba - Setembro de 2016

Queridos, me desculpem mas eu vou contra a maré de ódio a 2016. Tá bom que a situação política tá cada vez mais caótica e preocupante, que muita tragédia aconteceu, mas quando mesmo que algum ano foi incrivelmente belo e feliz? Que ano não teve caos, barbaridades, mortes tristes e revoltantes? Nem revisitando a história antiga eu lembro de uma época tão utópica assim.

Alguns anos são mais complicados sim, não dá para ignorar os fatores políticos, sociais e econômicos que interferem diretamente na vida pessoal de cada um, mas também não dá para jogar a culpa toda nos acontecimentos que sucederam esses 366 dias como se houvesse uma força maior trabalhando para dar tudo errado em sua vida, até porque grande parte da responsabilidade de como esses dias foram vividos é única e exclusivamente sua. 

Minha impressão é que se criou um olhar coletivo de negatividade para 2016. Qualquer situação fora do esperado ganhou o dobro de comoção, porque acredita-se que o ano foi ruim, que tudo vai mal e é tudo culpa do ano, tadinho. Mas e se a gente mudasse a perspectiva do olhar... Você já parou para pensar no que deu certo este ano ou as vantagens daquilo que não deu? O que você ganhou? O que não perdeu? Tenho certeza que por pior que tenha sido o cenário, se olhar com cuidado, você vai encontrar algo pelo que agradecer.

Em 2016 eu tive perdas, dúvidas, sofri e chorei muito, mas também foi um ano de muitas realizações pessoais, foi quando eu mais dei check ✅ nos itens das minhas listas clássicas de virginiana. Eu iniciei projetos, resolvi aquelas pendências burocráticas que ficava adiando há tempos, passei por transformações internas e externas, aprendi muita coisa nova, eu cresci, amadureci e me superei em diferentes áreas da vida.

Dizem que é na crise que os fortes e criativos se sobressaem. Muitos negócios de sucesso surgiram no auge de crises econômicas e políticas (Sugestão: Leiam "Oportunidades Disfarçadas" e se impressionem😉)Eu prefiro fazer parte desse grupo, dos resilientes, dos otimistas, dos que sofrem mas continuam perseverantes na luta, do que ficar choramingando pelo que passou. Tá tudo lindo e maravilhoso in my life? Não, mas eu estou sempre tentando melhorar. Então, eu só tenho a agradecer por mais um ano ter passado e eu ter mais que sobrevivido, ter vividamente vivido. Obrigada 2016 e que venha 2017 com mais aprendizados.


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As palavras não ditas e os julgamentos pressupostos

Posted by Unknown on 10:45:00

Quantas vezes você foi vítima de "mal-entendidos"? Quantas vezes criou histórias e situações que só existiram na sua cabeça? As palavras não ditas me incomodam muito mais do que uma verdade dolorosa dita com franqueza e me irrita esse modelo de julgamento baseado em achismos, pressupostos e suposições. Vejo acontecer com frequência, a pessoa recebe uma informação vaga e a partir daí forma sua sentença - normalmente acusatória e negligente - sem antes procurar saber da própria fonte o que realmente está acontecendo. Isso vale tanto para as relações interpessoais como para o contexto social que estamos vivendo com a velocidade e diversidade de informações na era digital. Quase não se questiona ou se debate, apenas se compartilha com um peso carregado de juízo de valor.

A resistência ao diálogo nas relações, a meu ver, é um problema base que influencia todo o resto, e quando digo isso considero todo tipo de relação: amorosa, profissional, familiar... Às vezes são demandas simples, incômodos que podem ser resolvidos em uma conversa de peito aberto, mas que do contrário, podem crescer com intensidade e rancor até explodirem de uma forma distorcida do que realmente era a raiz do problema. E aí mermão as coisas ficam mais difíceis de se ajustarem, porque uma coisa é se abrir para um diálogo problemático, outra é atirar um discurso carregado de agressividade e mágoa.

Sabe aquela expressão "cada cabeça é um mundo", é exatamente assim. Cada pessoa tem uma experiência única de vida, constrói suas crenças e incertezas diante de seus ideais religiosos, políticos, sociais e de suas vivências afetivas. Então, não dá pra julgar o outro só com base nas suas concepções. Você não pode entrar no seu mundinho e achar que todo mundo vai agir e entender da forma como você pensa. Por isso o diálogo é importante para quebrar esses pontos de conflito. Eu acredito que muita confusão e mal estar poderia ser evitado, ou no mínimo amenizado com uma boa conversa franca.

Reconheço que alguns assuntos e situações são mais complexos e difíceis de se externar verbalmente, que a educação no ambiente familiar influencia a forma como o indivíduo se comunica e, principalmente, que para o diálogo acontecer você precisa da disposição do outro para ouvir. E não só ouvir, mas escutar, tomar consciência do que o outro diz, refletir e aí sim argumentar. Muitos falam e não ouvem, nem ao outro nem a si mesmo. Conversa tem que ter troca. 

Mas muitos de nós fomos educados a ter medo da palavra. É melhor evitar a discussão, fugir do problema, silenciar, fingir que nada está acontecendo do que expor seus pensamentos e sentimentos. "Me chamaram para conversar..ih lá vem bomba!" - ou não, pode ser uma boa surpresa; "mas eu estou numa posição inferior não tenho direito de reclamar" - tem sim, a hierarquia não pode calar a sua voz e a conversa é essencial para uma boa convivência em todos os âmbitos; "D.R. é coisa de casal chato" - NÃO minha gente! Discutir a relação é saudável e preciso, quando não se vem armado de acusações e as coisas são ditas no início dos conflitos. Enfim, não é fácil, pode ser inclusive muito doloroso, mas exercitar a compreensão do falar e do ouvir é libertador!


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