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As palavras não ditas e os julgamentos pressupostos
Posted by Unknown
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10:45:00
Quantas vezes você foi vítima de "mal-entendidos"? Quantas vezes criou histórias e situações que só existiram na sua cabeça? As palavras não ditas me incomodam muito mais do que uma verdade dolorosa dita com franqueza e me irrita esse modelo de julgamento baseado em achismos, pressupostos e suposições. Vejo acontecer com frequência, a pessoa recebe uma informação vaga e a partir daí forma sua sentença - normalmente acusatória e negligente - sem antes procurar saber da própria fonte o que realmente está acontecendo. Isso vale tanto para as relações interpessoais como para o contexto social que estamos vivendo com a velocidade e diversidade de informações na era digital. Quase não se questiona ou se debate, apenas se compartilha com um peso carregado de juízo de valor.
A resistência ao diálogo nas relações, a meu ver, é um problema base que influencia todo o resto, e quando digo isso considero todo tipo de relação: amorosa, profissional, familiar... Às vezes são demandas simples, incômodos que podem ser resolvidos em uma conversa de peito aberto, mas que do contrário, podem crescer com intensidade e rancor até explodirem de uma forma distorcida do que realmente era a raiz do problema. E aí mermão as coisas ficam mais difíceis de se ajustarem, porque uma coisa é se abrir para um diálogo problemático, outra é atirar um discurso carregado de agressividade e mágoa.
Sabe aquela expressão "cada cabeça é um mundo", é exatamente assim. Cada pessoa tem uma experiência única de vida, constrói suas crenças e incertezas diante de seus ideais religiosos, políticos, sociais e de suas vivências afetivas. Então, não dá pra julgar o outro só com base nas suas concepções. Você não pode entrar no seu mundinho e achar que todo mundo vai agir e entender da forma como você pensa. Por isso o diálogo é importante para quebrar esses pontos de conflito. Eu acredito que muita confusão e mal estar poderia ser evitado, ou no mínimo amenizado com uma boa conversa franca.
Reconheço que alguns assuntos e situações são mais complexos e difíceis de se externar verbalmente, que a educação no ambiente familiar influencia a forma como o indivíduo se comunica e, principalmente, que para o diálogo acontecer você precisa da disposição do outro para ouvir. E não só ouvir, mas escutar, tomar consciência do que o outro diz, refletir e aí sim argumentar. Muitos falam e não ouvem, nem ao outro nem a si mesmo. Conversa tem que ter troca.
Mas muitos de nós fomos educados a ter medo da palavra. É melhor evitar a discussão, fugir do problema, silenciar, fingir que nada está acontecendo do que expor seus pensamentos e sentimentos. "Me chamaram para conversar..ih lá vem bomba!" - ou não, pode ser uma boa surpresa; "mas eu estou numa posição inferior não tenho direito de reclamar" - tem sim, a hierarquia não pode calar a sua voz e a conversa é essencial para uma boa convivência em todos os âmbitos; "D.R. é coisa de casal chato" - NÃO minha gente! Discutir a relação é saudável e preciso, quando não se vem armado de acusações e as coisas são ditas no início dos conflitos. Enfim, não é fácil, pode ser inclusive muito doloroso, mas exercitar a compreensão do falar e do ouvir é libertador!

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